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"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o Homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."         Rui Barbosa

 


Esta é uma verdade incontestável. Onze em cada dez brasileiros acreditam. A crença, além de outras bases, tem uma forte sustentação: se Deus não fosse brasileiro, certamente o Brasil não teria resistido até agora a tudo que os políticos já fizeram para acabar com o país.

Agora, há mais um suporte importante. Depois que o presidente Lula reafirmou nos Estados Unidos que “Deus é brasileiro”, como foi transcrito em reportagem da revista Time, o provérbio se tornou verdade absoluta . Aliás, ele seria o criador do adágio, referindo-se às descobertas de reservas de petróleo, diz a revista.

Além de tudo que já fez pelo Brasil, Deus precisa ficar atento para evitar que o país seja envolvido pela crise econômico-financeira que se alastrou pelo mundo.

É verdade que o presidente Lula afirma e reafirma que o Brasil não será atingido pela catástrofe que se iniciou nos EUA, o que certamente confirma a crença na nacionalidade de Deus. Também o presidente confia em outro importante fator de proteção: o fato de o oceano Atlântico estar separando o Brasil dos Estados Unidos. É uma verdade que ele havia divulgado há algum tempo e, em sua última viagem a Nova York reafirmou, pregando que a crise dos Estados Unidos não conseguiria atravessar o Atlântico para chegar ao Brasil, ainda que o seu amigo Bush não conseguisse barrar o furacão devastador.

Não importa se o presidente Lula conseguiu alterar a verdade geográfica, mudando o mapa do mundo, para colocar o Brasil e os Estados Unidos em lados opostos do oceano Atlântico. “Falou, tá falado”, como diz o ditado.

O presidente Lula, quando vaticina que a crise financeira não atingirá o Brasil, fala com os poderes divinos que possui, graças à sua semelhança com Jesus Cristo, como tem repetido. Além disso, deve ter credibilidade o que afirma, se o faz estribado em seus elevados conhecimentos sobre as teorias econômicas.

Tudo que ele diz o povo acredita, daí o sustentáculo que são os 80% de aprovação que o povo lhe dá.

Em meio a todo o redemoinho que se espalha, afetando os mercados mundiais (exceto o Brasil, como garante o presidente) alguns detalhes da vida real merecem ser observados. É tempo de os brasileiros se convencerem que Papai Noel, Branca de Neve, a Mula Sem Cabeça e outras figuras folclóricas não existem.

A divulgação recente de alguns números pelo Banco Central do Brasil, a respeito do elevado nível de endividamento dos brasileiros, no mínimo deveria aconselhar aqueles crédulos nos poderes divinos lulistas a pôr “as barbas de molho”.

Diz o Banco Central que o montante das dívidas, ultimamente, cresceu mais do que os salários.

A farra do endividamento decorre, sem dúvida, dos juros mais baixos (pelo menos até há poucos meses), bem como do alongamento dos prazos para pagamentos. Compram-se algumas coisas para pagar em até 84 meses, ou mais.

Apesar da elevação das taxas de juros que o BC adotou nos últimos meses, ante o surgimento do fantasma da inflação, o volume de crédito avançou 31,8% nos últimos doze meses. Bateu o recorde de 1,11 trilhão de reais.

É significativo um detalhe: o volume de crédito, em relação ao Produto Interno Bruto, também atingiu o recorde. Do equivalente a 24% em 2003, avançou para 38%, em agosto passado.

A previsão do Banco Central é que o percentual de crédito supere os 40%, em relação ao PIB, até o final deste ano.

Para aqueles que observam e analisam os números, despidos de fanatismo, a situação no Brasil começa a ser preocupante.

Não faz muito tempo iniciou-se a avalanche de crédito fácil nos Estados Unidos. A esbórnia , lá, foi a concessão desregrada de crédito para aquisição de imóveis. Aconteceu o inevitável: os preços dos bens dados em garantia dos financiamentos caíram, os juros subiram e a inadimplência atingiu as alturas.

O resultado foi o tsunami que atingiu o sistema financeiro e bancário americano, as falência se alastraram e o resultado todos já sabem qual está sendo.

No Brasil, espera-se que os poderes divinos do presidente Lula sustentem a economia, evitando-se a derrocada e a quebradeira.

 

 

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